Votação de veto gera muita confusão em Americana

Depois do marasmo em várias sessões seguidas da Câmara Municipal de Americana, a última reunião legislativa antes da eleição foi bastante tumultuada. O vereador Marco Antonio Alves Jorge (PDT) pediu votação em urgência especial do veto do prefeito Diego De Nadai (PSDB) a dois parágrafos do projeto de lei 116/12, que obrigavam a utilização da lista de inscritos da Secretaria da Habitação para um dos projetos do programa Minha Casa, Minha Vida.

O pedido de urgência foi rejeitado por sete votos a cinco. A rejeição causou a revolta por parte das pessoas que estavam presentes ao plenário e se inscreveram no programa. A sessão teve que ser suspensa por dez minutos.

Alves Jorge convidou os inscritos que aguardam há vários anos para serem inseridos nos programas habitacionais da Prefeitura de Americana. O plenário ficou lotado e o público exigia que os vereadores derrubassem o veto do prefeito. A construção do empreendimento será em uma área no bairro Recanto, próximo ao Jardim dos Lírios, com 300 unidades destinadas à Faixa 1, ou seja, com renda familiar de até R$ 1,6 mil.

A justificativa do prefeito para o veto é que, pelas regras do programa, a lista não pode ser seguida. Alves Jorge foi acusado, pelos vereadores da base aliada, de ter utilizado as pessoas como massa de manobra com interesses eleitorais. Já o vereador defendeu que a votação do veto antes da eleição, seria uma forma de garantir que a lista de inscritos fosse mantida, já que, na semana que vem, os vereadores podem mudar de posição.





A base aliada argumentou que precisava de tempo para analisar se o critério pode ser utilizado para o programa. “Temos dúvida se a Caixa vai permitir esse financiamento e se, usando essa lista, vamos inviabilizar o projeto”, argumentou o vereador Luciano Corrêa (PSDB). A vereadora Divina Bertalia (PDT) lembrou que o veto está protocolado há um mês e que os vereadores tiveram tempo de tirar suas dúvidas.

Terra pública
Alves Jorge garantiu que a lista não impede o programa, que pode ser feito através do Fundo de Desenvolvimento Social, voltado exclusivamente para atendimento de famílias de baixa renda. “Está muito claro que estão querendo pegar uma terra pública, dar na mão de empreiteiro e passar esse povo para trás”, afirmou. O projeto de lei autorizou a venda do terreno da Prefeitura por 10% do valor de mercado para possibilitar a construção de moradias mais baratas para atender essa faixa da população.

O pedido de urgência foi rejeitado por sete votos a cinco. A rejeição causou a revolta dos presentes. A sessão teve que ser suspensa por dez minutos. “Isso é um desrespeito, uma baixaria, uma sujeira”, reclamou a comerciante Cenize de Souza, que está na lista há dez anos. “Depois da eleição some todo mundo”, disparou o mecânico Gileno Mariano Bezerra, que está na lista há 15 anos. O veto terá que ser votado na sessão da próxima semana, sob o risco de trancar a pauta da Câmara.

Fonte: Jornal O Liberal 





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